Fico assim

Um pouco nostálgica, esperando por nada.

De repente prefiro o turbilhão, porque a lembrança de você não me bate à porta.

Depois de tudo, não entendo suas atitudes vendo de longe.

Quer falar como se não houvesse feridas.

Como se a sua atuação tivesse sido a do mocinho.

Engraçado.

Me deparando com essa realidade prefiro esquecer de te lembrar.

Preferiria.

Se não fosse inconsciente e inconseqüente a necessidade da sua presença por aqui.


Mais carne que unha

Antes de você nascer eu já te imaginava. Ficava ali, pensando como seria minha vida que sairia do singular.

Com 12 anos não se sabe muito das coisas, mas dos sonhos, ah aí sim já temos muitos, e eu sonhei com você.

Te visitei na sua estréia, e lá estava aquela que seria uma grande irmã.

Apesar de já ter irmãos, nunca convivi com eles debaixo do mesmo teto e essa experiência me parecia muito interessante.

Ignoramos todos os critérios e regras das famílias modernas e apesar de não sermos ligadas na via paterna, temos uma mãe que nos traçou com um amor imensurável e esse sentimento nega qualquer afirmação de meia “irmandade”. Somos por inteiro. Talvez até mais que isso.

Nesse dia, queria que você sentisse como é especial pra mim, para nós.

Seu jeito meigo, delicado, sempre educada, o seu silêncio e todo esse conjunto de qualidades te fizeram crescer de uma maneira doce e deslumbrante.

Tenho orgulho em ter alguém como você na minha vida.

As cobranças, aceite, são sempre para que você não perca o foco e ultrapasse seus limites, esforço que com certeza te levará muito longe.

Bi, Bia, Bibi, Pi, Piá. Porque se chamamos ‘Bianca’, que é um nome um tanto curto, você me estranha, olha assim O_ô e com aquela herança irônica pergunta: “Vai me chamar de Bianca?”.

Não seria para menos.

Apesar da adolescência que chegou, da rebeldia que de algum jeito insiste em florescer, o que é divertido, o carinho sempre vai ser o mesmo.

Não poderia ter ganhado um presente melhor de Deus. Uma alma gêmea mais gêmea. Alguém para dividir gostos e vontades, para deixar nossa mãe doidinha da ‘Silva’ e até isso fazer com carinho.

Não poderia ter alguém melhor nessa categoria. A de irmã. Aquela que participa da minha vida. Aquela pra quem eu ligo às 23h58 do dia 19 para dar parabéns e falo: “Pi, ainda não é dia 20, daqui a pouco eu ligo, hahaha”.

Te amo, Pi.

Nossa história terá muitos capítulos lindos, vamos protagonizar como fizemos até agora.

Ah e ano que vem, mesmo você não querendo, a mãe quer festa com baile de quinze meninas, viu. Ah e intercâmbio só com 16. Pra quê vc quer um Ipod se você já tem um tablet? Por quê você não usa aquele sapato novo, Bi?

Mãe, ta vendo! Você mima muito a Bianca.

Ah mãe, deixa pra lá é fase e se não passar a gente vê o que consegue vai.

Mãe ela não quer baile, deixa ela…

Libera o intercâmbio, vai…

E o sapato ela vai acabar usando.

Oh, vamos pensar no ipod mãe, porque tem outras funções também e tals …

hahahaha

É sempre assim.

Te amo gateeenha.

Para sempre.

Feliz aniversário.


Eu prefiro ser

Não ligo, não me importo, não me incomodo com as definições de démodé. Com as lições de moral. De bons costumes. Da boa convivência. Da boa cultura. Do jeito de amar. De rezar. De expressar. De acreditar.
Minha vida não se limita a conclusões. Principalmente daqueles que por um surto de auto-suficiência ontológica se deduzem donos da verdade.
Que verdade?
Quem são eles?
“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Porque gosto hoje e amanhã não mais. Disso, daquilo ou daquele. Daí a explicação de não me importar para o que pensam. Porque amanhã é um e depois é outro. Que pensa. Que fala. Que critica. Que ataca.
Isso não é uma resposta. Pode até ser um desabafo. Talvez para que antes que solte aos ventos princípios tirados não sei da onde, saiba que não me importo.
Hoje Elvis, amanhã Madonna.
Ontem twitter, hoje facebook.
Ainda tenho Orkut.
Em 2004 ‘bixete’, em 2007 ria dos ‘bixos’.
Hoje tenho saudades de 2004.
Antes desdenhava, hoje acredito.
Porque me importar?
Hoje escrevo, apago.
Não me importa.
Aqui sou eu.
Com erros e acertos. Certezas e dúvidas. Anseios e frustrações.
Aqui faço e desfaço. Crio e me calo. Canso e embaraço.
Por isso não importo.
Me refaço.


Até o ultimo gole pra aguentar a dor por tentar fugir de algo que não te faz bem.

Até o último gole talvez por tentar fugir de ser alguém.

Ainda que seco e amargo, o último gole que te consome.

Tome.

Antes de perder o que ainda não se ganhou.

A garrafa ainda está cheia, corre.

Aquele que embriaga o sentimento.

Leva. Fica. Volta. Chora. Vai.

O que você desejar.

Não espere, não demore.

 

(por duas embriagadas)

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Manhã é recomeço.

Traz o gosto da alegria ou da dor do dia anterior

Seu crescimento vai ser maior

Sua esperança florescerá

Na ânsia do novo

Na busca de acertar

Ou de concertar

Fazer valor aquele que une.

Que permite.

Que se deixa.

Amar

Encontrar

Planejar

Um motivo para conquistar

Natal é manhã

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PODE CHEGAR

Leia ao som de: Pitty, Só Agora.

Pode chegar. Aqui é um pouco estranho, conturbado. Mas sua presença irá clarear as coisas. Não sei se é tempo certo. Mas é certo esse tempo.
Você vai me encontrar insegura, mas com uma força de amar gigante.
Sim! Iremos crescer juntas.
Nossa história vai ser construída assim, mas será ótimo. Acho que a sua chegada me trará uma força imensurável de vencer.
Acho não, tenho certeza.
Daqui a 10 anos a gente pode refletir sobre o que passou.
Vou acariciar você, mimar você. Vou te ajudar, ensinar, compartilhar sentimentos e histórias.
Você deverá ser mascote da minha turma de faculdade. Minhas amigas vão te achar linda e o mundo vai nos olhar e dizer, ‘que linda aquelas duas, parecem irmãs’.
Quando a mamãe tiver certeza de que tudo deu certo, e que juntos, eu você e o papai, conseguimos alcalçar nossos primeiros sonhos, vou escrever sobre tudo isso.
Dizer o quanto você será especial em nossas vidas e que fez nascer de um amor uma alma com a qualidade de nós dois.
Eu não sei, mas se você puxar um defeitinho da mamãe, vai ser um pouco ‘nervosinha’, porém, espero que a sua versão seja melhor que a de 1985, já que você é uma 2001, rsrsrs.
Mas, minha linda, pode esperar. Na data de 14.09.11, nós vamos acordar, eu vou levar achocolado no copo do Tigrinho e nós vamos tomar + café da manhã no Mc Donalds. Vamos nos olhar pensar o quanto somos importantes uma para outra.
Saber que esse laço que está sendo construído envolve o mais belo presente do mundo inteiro, o amor entre mãe e filha.
Depois disso tudo, te deixarei em casa vou para o trabalho. Aquele dos meus sonhos. Na profissão que eu sempre quis.
Daí poderei escrever sobre tudo o que fizemos e esperar por mais tarde, quando novamente estaremos juntas, e com nossos amigos, com vovós e vovô, titias e primos, vamos cantar: PARABÉNS PRA VOCÊ, GIOVANNA!
TE AMO FILHA!


Não há dor que supere a saudade.

Não há alegria que a ultrapasse.

Se sofremos por ela, nos alegramos por ter experimentado.

Uma presença, um lugar, uma vida.

Na saudade está guardada a angústia de não ter mais e o prazer da lembrança.

Nostalgia.

Na saudade é que me lembro de um cantinho.

É que canto um pouquinho.

Pra ver se sai do meu peito.

Uma dor que não tem jeito.

Aperta o coração.

Ainda que vá embora.

Me recordo nessa hora.

Quando toca essa canção.

Saudade.

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Black Swan

(detalhe, escrito 25 de abril)

Embora o ser humano tenha habilidade de copiar, repetir e cair na mesmice, existem raras exceções. E isso, gracias a Dios.

Depois de tempos sem me dedicar à Sétima Arte, que me fascina, encanta e me faz mergulhar no seu mundo, esse final de semana prolongado me propiciou oportunidade de ficar hora hipnotizada na frente da telinha.

Ainda que um tanto atrasada, não posso deixar de comentar a expectativa com a qual assisti Cisne Negro, Black Swan, com a linda Natalie Portman. Mesmo sem ter visto ao menos o trailler, li algumas críticas sobre a modernidade do filme indicado como muitos outros para o Oscar 2011, e, junto com elas, a desesperança de que esse filme pudesse ser o grande vencedor da festa.

Foi notável perceber que a academia modernizou. Cisne Negro foi o grande vencedor, não desmerecendo o belíssimo Discurso do Rei, mas inovou por não ser mais um filme redondinho, clássico do gosto dos eleitores da Casa.

Inovou.

Confuso e intenso, Cisne Negro leva o público a querer saber, a entender, procurar o black.

Um tanto exagerado, mas perfeitamente na medida certa.

Nada que é pouco demais ou que é suficiente incomoda, meche, seduz.

Nina, uma bailarina pacata e perfeita, que abusa da técnica do seu balé clássico, após uma temporada de abandono aos palcos, volta com tudo. Quer ser destaque.

Como em toda área, ainda mais naquelas que envolvem arte, a concorrência é desanimadora.

Nina poderia ser a estrela na versão “Cisne Negro” de “Lago dos Cisnes”, porém, se esconde no véu da doce menina perfeita.

Não demora muito para que o diretor do espetáculo se decida por ela, sabendo que ele teria de despertar a inquietude, a descoberta e o viver a vida daquela garota. Ele consegue.

Indicada a ser a bailarina principal, Nina procurou tanto que se perdeu. Daí todo o desenrolar da história.

Os méritos de quem amarrou tudo isso foi dela, que levou também o oscar de melhor atriz. Estupenda. Portman se entregou por inteiro à sua personagem. Usando o restinho de entrega que deixara em todas suas outras personagens.

Direção, fotografia e roteiro transformam o Lago dos Cisnes no Cisne Negro, e isso sem nenhum tom de roteiro adaptado.

O filme aflora nos cinéfilos de plantão o desejo de surpreender-se de novo, aquele desejo adormecido depois de tantas histórias repetitivas e insossas mostradas nas telonas.

Felizmente, Cisne negro está na contramão das mesmice. Da pobreza de criatividade. Do exagero de efeitos.

Um bom filme, assim podemos defini-lo.

Tomara que os autores, roteiristas e diretores tenham entendido o recado e nos preparem doses generosas desse tipo de surpresa e admiração.

No aguardo de algum roteiro sem pé nem cabeça. Mas com alma. Coração. Emoção.


Vai entender o coração

Loucura ou não eu não paro.

Pode ser um desacato.

Pode ser um transtorno.

Pode ser um sentimento oco.

Pode ser um desatino.

Pode ser ilusão.

Vai entender o coração.

 

Pode ser uma mentira.

Pode ser bem rápido.

Ainda que seja intenso.

Pode ser nem eu.

Nem vontade minha.

Pode ser que até tinha anseio de não.

Vai entender o coração.

 

Pode ser de verdade.

Pode ser pra valer.

Pode ser o que invade.

Pode ser o querer.

O que não se explica.

Nem se limita.

Loucura ou não, vai entender o coração.


Como vai você?

O dia tá acordando e eu aqui, sem você.

Ontem não foi tão bom te ver.

Passei reto e sem uma palavra.

Fingi que não vi.

Mas esse ‘hoje’ pode nos devolver.

Trazer de volta nossa paz.

Aquela, só de saber que estamos bem.

Você aí e eu aqui.

Vou passar novamente.

Olhar pra você e tentar dizer.

Nem que seja um tímido olá.

Ou como vai você?

Neste dia que amanhece pensei em dizer.

Ou posso esquecer de tudo isso que inventei.

E sonhei.

Pra te trazer de volta.


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