(detalhe, escrito 25 de abril)
Embora o ser humano tenha habilidade de copiar, repetir e cair na mesmice, existem raras exceções. E isso, gracias a Dios.
Depois de tempos sem me dedicar à Sétima Arte, que me fascina, encanta e me faz mergulhar no seu mundo, esse final de semana prolongado me propiciou oportunidade de ficar hora hipnotizada na frente da telinha.
Ainda que um tanto atrasada, não posso deixar de comentar a expectativa com a qual assisti Cisne Negro, Black Swan, com a linda Natalie Portman. Mesmo sem ter visto ao menos o trailler, li algumas críticas sobre a modernidade do filme indicado como muitos outros para o Oscar 2011, e, junto com elas, a desesperança de que esse filme pudesse ser o grande vencedor da festa.
Foi notável perceber que a academia modernizou. Cisne Negro foi o grande vencedor, não desmerecendo o belíssimo Discurso do Rei, mas inovou por não ser mais um filme redondinho, clássico do gosto dos eleitores da Casa.
Inovou.
Confuso e intenso, Cisne Negro leva o público a querer saber, a entender, procurar o black.
Um tanto exagerado, mas perfeitamente na medida certa.
Nada que é pouco demais ou que é suficiente incomoda, meche, seduz.
Nina, uma bailarina pacata e perfeita, que abusa da técnica do seu balé clássico, após uma temporada de abandono aos palcos, volta com tudo. Quer ser destaque.
Como em toda área, ainda mais naquelas que envolvem arte, a concorrência é desanimadora.
Nina poderia ser a estrela na versão “Cisne Negro” de “Lago dos Cisnes”, porém, se esconde no véu da doce menina perfeita.
Não demora muito para que o diretor do espetáculo se decida por ela, sabendo que ele teria de despertar a inquietude, a descoberta e o viver a vida daquela garota. Ele consegue.
Indicada a ser a bailarina principal, Nina procurou tanto que se perdeu. Daí todo o desenrolar da história.
Os méritos de quem amarrou tudo isso foi dela, que levou também o oscar de melhor atriz. Estupenda. Portman se entregou por inteiro à sua personagem. Usando o restinho de entrega que deixara em todas suas outras personagens.
Direção, fotografia e roteiro transformam o Lago dos Cisnes no Cisne Negro, e isso sem nenhum tom de roteiro adaptado.
O filme aflora nos cinéfilos de plantão o desejo de surpreender-se de novo, aquele desejo adormecido depois de tantas histórias repetitivas e insossas mostradas nas telonas.
Felizmente, Cisne negro está na contramão das mesmice. Da pobreza de criatividade. Do exagero de efeitos.
Um bom filme, assim podemos defini-lo.
Tomara que os autores, roteiristas e diretores tenham entendido o recado e nos preparem doses generosas desse tipo de surpresa e admiração.
No aguardo de algum roteiro sem pé nem cabeça. Mas com alma. Coração. Emoção.